A criatividade coletiva

Você se lembra do brainstorming? É um exercício de criatividade coletiva que foi mais freqüente quando era moda, entre as décadas de 70 e 80. Literalmente significa “tempestade cerebral”, mas quer dizer “tempestade de idéias”. Trata-se de uma técnica desenvolvida pelo publicitário norte-americano Alex Osborn. Inicialmente, o brainstorming era aplicado em ambientes de propaganda e marketing, mas com o tempo tornou-se popular em outras áreas, e entrava em cena sempre que havia necessidade de soluções criativas para alguma dificuldade ou para algum projeto novo.
 
O brainstorming tem vários princípios, mas três são mais importantes:
 
a)A criatividade é importante e fundamental para obtenção de propostas ao desenvolvimento e para que se encontrem alternativas de solução para problemas e dificuldades;
 
b)Todas as pessoas são criativas em essência, mas precisam ser libertadas para criar através de um ambiente amigável, estimulante e livre de censuras;
 
c)O potencial criativo individual aumenta quando estimulado a ser utilizado em grupo, com a finalidade de produzir uma grande quantidade de idéias no menor intervalo de tempo possível.
 
A finalidade do brainstorming é a de estimular a liberação das idéias relativas a um tema qualquer, iniciando pelas mais ridículas e aparentemente desconexas e impossíveis. É incrível como isso liberta as pessoas do medo da ridicularização e promove um clima em que idéias vão sendo construídas, aperfeiçoadas e validadas.
 
Lembro-me de um brainstorming que tive a oportunidade de conduzir em uma empresa incorporadora de imóveis. O tema central era: “o que vamos fazer para aumentar nossas vendas”. Após incentivar a criatividade, promovendo os desbloqueios necessários, iniciamos a reunião, através do exercício que eles mesmos chamavam de “asneiras criativas”. Seguiu-se um diálogo interessante, que está resumido abaixo:
 
– Já sei o que fazer para vender mais: vamos dinamitar todas as construções dos concorrentes” – disse um dos participantes.
 
– Trata-se de uma alternativa que nos deixaria sozinhos no mercado e, portanto venderíamos mais. Ótima solução, só que tem um pequeno defeito: iríamos todos presos” – argumentei, pedindo que alguém sugerisse alguma alternativa à essa solução radical.
 
– Eu tenho uma! – respondeu um dos corretores que normalmente era quieto. – Vamos dinamitar os concorrentes, mas não com dinamite, e sim falando mal de suas obras, difamando as empresas, espalhando o boato de que os prédios estão com as fundações abaladas.
 
– Bem, é uma alternativa menos agressiva que a anterior, e pelo menos não corremos o risco de sermos presos como terroristas – coloquei. – Mas você não acha que esse comportamento é totalmente antiético, pois não se trata de uma verdade?
 
– Concordo – continuou ele. – Então proponho que, ao em vez de falar mal dos concorrentes, vamos falar muito bem da nossa própria empresa. Salientar com mais ênfase a qualidade de nossos projetos e de nossas construções, colocar mais energia em nossas relações, mostrar aos clientes que nós todos temos o maior orgulho de trabalhar nesta empresa, pois ela é competente, coerente e ética. Essa atitude não atingirá ninguém, mas criará o mesmo efeito, o de atrair mais pessoas aos nossos estandes de vendas, pois elas sentirão a força que estamos colocando, e entenderão que isso deriva da nossa própria certeza da qualidade dos produtos que vendemos.
 
O corretor foi aplaudido por todos e criou-se um ambiente de grande energia e motivação. Ficou claro que o que estava faltando era um compromisso maior de todos os corretores com a empresa, com os produtos e com a certeza de que através de seu trabalho todos estariam ajudando pessoas a realizar o sonho da uma casa própria. As vendas aumentaram. E tudo começou com uma asneira criativa.
 
Texto publicado sob licença da revista Vencer.
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