A máquina do tempo

Dezembro! Parece que foi ontem que o ano começou… Este mês, tradicionalmente, é usado como uma espécie de rampa de lançamento para a máquina do tempo. É quando viajamos para trás, visitamos o passado e verificamos nossas conquistas e derrotas acontecidas no ano que está terminando. E é também quando fazemos uma incursão no futuro e tentamos imaginar o ano que queremos viver nos próximos doze meses. Vamos nessa?
 
Visitando o passado
 
O interessante é que, quando se fala da imaginária máquina do tempo, a maioria das pessoas gostaria de tê-la para viajar primeiro para o passado, depois para o futuro. Parece que o desejo de poder mudar alguma coisa que já aconteceu é maior do que a curiosidade sobre o que vai acontecer.
 
Queremos viajar para o passado provavelmente para fazer alguma coisa que não fizemos ou para desfazer algo de que nos arrependemos.  Pois então temos uma boa notícia. Nesse sentido, a máquina do tempo já existe, é barata e acessível a todos nós: é nossa própria consciência. A percepção saudável da realidade permite que façamos uma conexão lúcida entre as experiências presentes e o significado do passado.
 
Voltar no tempo é uma fantasia divertida e útil, por estranho que pareça. É divertida porque revivemos os momentos bons, e porque percebemos que os maus, pelo menos em sua maioria, não passaram de sensações desagradáveis que não tiveram tanta repercussão assim em nossa vida.
 
E é útil porque nos obriga a refletir sobre o que gostaríamos de mudar em nossa jornada, portanto, em nós mesmos. “Ah, se eu pudesse voltar no tempo”, dizem as titias que não casaram, os homens sérios que não aproveitaram a juventude, os pais que estragaram os filhos com mimos e excessos. Pois é, infelizmente não dá para mudar o passado, mas dá para mudar seu significado em nossa cabeça e em nosso coração.
 
O que passou, passou, mas deixou suas marcas, que podem ser chamadas, simplesmente de aprendizados. O que devemos evitar é a armadilha de culpar o passado pelos problemas do agora, e de viver em função de glórias que já aconteceram. As marcas do passado devem ser lidas como palavras em um livro de história. Servem para que evitemos cometer os mesmos erros e para que possamos aperfeiçoar os pontos positivos, aqueles que nos tornaram pessoas melhores.
 
Imaginando o futuro
 
Esta é uma prerrogativa dos humanos. Nenhuma outra espécie é capaz de imaginar o futuro, pelo simples motivo de que não têm conhecimento de que ele existe. Nosso cérebro é o único que tem consciência temporal, identifica o presente, recorda o passado e imagina o futuro. É bem verdade que o presente é a única realidade prática, mas também é verdade que é nesse instante que se inserem a passado e o futuro. Na dimensão temporal atual, o passado recebe o nome de memória e o futuro tem vários pseudônimos, tais como sonho, desejo, medo e esperança.
 
O que não podemos deixar de lembrar é que futuro não é algo que vai existir, o futuro existe agora. Aliás, o futuro só existe no presente, pois quando, no futuro, o futuro virar presente, ele deixará de ser futuro. Parece óbvio, mas escapa da percepção cotidiana da maioria das pessoas. E escapa também o fato de que o futuro virará presente, e quando isso acontecer, ele será melhor ou pior a depender das providências tomadas no presente, neste presente.
 
Em outras palavras, só vivemos no presente, mas estamos fortemente conectados ao passado que nos ensina, e ao futuro, que nos motiva. Viver é estar atado a essa tríade temporal, doce ou amarga, dependendo da consciência e das iniciativas de cada um, sempre lembrando que a verdadeira sabedoria reside em vivermos em paz com o tempo. Consciência tranqüila com relação ao passado e expectativa positiva com relação ao futuro tornam nosso presente mais ameno.
 
Mas as pessoas estabelecem relações diferentes com relação ao futuro, dependo de seu grau de maturidade e de lucidez. Há os que ignoram o futuro, tratam de viver intensamente o presente e alegam que irão atender às demandas do futuro apenas quando elas aparecerem. Estes são os imprevidentes.
 
Há também os que tratam de prever o futuro. Eles, inteligentemente, analisam os fatos do passado, lêem os sinais do presente e, a partir dessa técnica, arriscam palpites sobre o que acontecerá no ano que vem. Estes são os futurologistas.
 
Mas há os que não se contentam em prever o futuro, resolvem, por iniciativa própria, construí-lo. Usam, para esse fim, duas qualidades fundamentais: a imaginação e a razão. Imaginam o mundo que desejam, para si e para os outros, e tratam de assentar os tijolinhos da lógica para construir a escada que os levará ao seu destino. Estes são os idealizadores.
 
A realização das profecias
 
Há quem diga que pensar sobre o futuro significa brincar de profeta, de adivinho, pois o número de possibilidades de nossa vida é tão grande que só a partir do elementos da lógica não é possível acertar o que vai acontecer. Sim, há verdade nesta observação, mas também temos que considerar a incrível capacidade de nossa mente em influenciar os acontecimentos futuros, e, neste caso, não estamos falando de profecias místicas, e sim de psicologia.
 
Há estudos sérios sobre este assunto. Por exemplo, o sociólogo americano Robert Merton, que é doutor pela Universidade de Harvard, dedicou sua vida a estudar o comportamento das pessoas em seus ambientes de trabalho, especialmente dos líderes. Ele percebeu que quando as pessoas se convencem de que alguma coisa acontecerá, essa coisa tem grande chance de acontecer de fato pelo simples motivo que todos se organizam para realizar aquela previsão. A esse fenômeno o estudioso chamou de profecia auto-realizável, uma espécie de conspiração mental para fazer acontecer o que se deseja.
 
Então, muito cuidado nesta hora, pois o mesmo se aplica para aquilo que tememos que aconteça. Quando nosso medo é grande tratamos de justificá-lo providenciando os meios para que o fato se concretize. Afinal, gostamos de ter razão sempre.
 
Por isso, neste mês de dezembro, na rampa de lançamento para o ano que vem, precisamos ter muito cuidado com nossas previsões, pois elas têm o estranho hábito de se concretizar. Deseje só o melhor. Enfrente seus medos com coragem e não com paralisia. Acredite em seu potencial, confie nas pessoas, acrescente alegria e amor às suas relações e ao mundo. Afinal, é o único que temos. E pare de dizer o que você quer do futuro; experimente ser generoso e pergunte ao futuro o que ele quer de você.
 
Texto publicado sob licença da revista Conexão Direta com Você, da Nextel.
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