Aberto para balanço

Aproveite o fim de ano para acalmar seu passado e alegrar seu futuro
 
Devemos olhar para frente! Concordo. Mas também é salutar lançar olhares para o passado. O fim de ano propicia isso, pois há o sentimento de que concluímos uma etapa e vamos começar outra. Nas empresas, há o planejamento estratégico. Em nossa vida pessoal, podemos usar a mesma técnica — analisar se o caminho seguido até aqui nos levará aonde queremos chegar, ou se precisa de correções de rumo. Infelizmente são poucas as pessoas que usam o conteúdo pedagógico da história pessoal. Quando a administração, na alvorada do século passado, ganhou status de ciência, algumas idéias começaram a ser utilizadas. Destaco três: o planejamento, o controle e o aprimoramento. Taylor e Fayol davam ênfase maior às duas primeiras. Isso acontecia porque, na época, educação e aprendizado não eram prioridades. Hoje sabemos que só evolui quem aprende.
 
Parece óbvio, mas é impressionante como teimamos em continuar repetindo modelos que já demonstraram estar errados. Percebendo que tendemos a repetir os erros, o estatístico americano Walter Shewhart criou, na década de 1930, o Método da Melhoria, conhecido como PDCA, que ainda é muito utilizado por ser de fácil compreensão e aplicação. Ele recomenda que você planeje (Plan), implemente o plano (Do), verifique se é mesmo bom (Check) e então o aprimore (Act). Certo, certíssimo, mas o PDCA já evoluiu para PDCL, no qual o A foi substituído pelo L, de Learn — aprendizado. Isso mesmo. Mexa no plano por ter aprendido com sua execução, examinando as causas dos acertos e dos erros. Aprender continuamente é a grande sacada da atualidade. Pessoas, empresas e nações aprimoram-se quando aprendem, e não quando promovem mudanças sem consistência, pois, mudar por mudar, é melhor deixar como está.
 
Olhar para trás com saudosismo, revolta ou arrependimento não tem utilidade. O que importa é examinar o que foi feito para caprichar no que se fará. Usar o histórico como fonte de inspiração para a busca da excelência é um dos maiores sinais de inteligência estratégica. Quem olha dessa forma não nega nem repudia os erros cometidos, pois eles são a maior fonte de aprendizado para a melhoria. Se, ao olhar com serenidade e gratidão o ano que termina, você encontrar erros, alegre-se por ter a oportunidade de começar de novo. Erros são bons desde que você seja lúcido para perceber que errou, humilde para assumir a responsabilidade, esperto para consertar o resultado e sábio para incorporar o aprendizado. Liderar, a si e aos outros, é estar sempre aberto para balanço. Continue rodando seu PDCL. O passado se acalma e o futuro se alegra!
 
Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.
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