Aliança com o tempo

O engenheiro americano Frederick Taylor, no início do século xx, criou as bases da administração moderna, e fez isso procurando otimizar o trabalho dos operários em uma fábrica. Para isso, estabeleceu uma relação matemática entre a produção que eles conseguiam e o volume de recursos que utilizavam nessa produção. E Taylor considerou o tempo como o mais importante entre todos os recursos. A partir de então se estabeleceu a cultura do século que se iniciava: fazer mais, em menos tempo.

E também começou a confusão. Sim, porque fazer em menos tempo não significa fazer mais rápido, e sim fazer com mais qualidade. Essa era a visão do engenheiro. A má interpretação de sua ideia acabou por criar um caos comportamental que se refletiu em pessoas apressadas, neuróticas e infelizes. “Pense antes de fazer, planeje seu trabalho, organize-se e só então faça”, dizia ele.

  Mas o que fazemos nós? Corremos como baratas tontas diante da necessidade de fazer mais com menos, em lugar de planejar, preparar, aprimorar a técnica, e só então fazer, rápido, mas sem pressa, saboreando cada momento como único que de fato é. Não se pode lutar contra o tempo. Ele é poderoso e sempre ganha a batalha. A ideia não é de luta, mas de aliança.  Zeus não matou Chronos. Tratou de conquista-lo, e então aliou-se a ele.

Entretanto, a valorização da pressa ainda existe. O bom profissional é o que atende rápido? Ou seria o que atinge rápido o resultado? São coisas diferentes. Por exemplo: você prefere o médico que atende em dez minutos ou aquele que utiliza 45 minutos em sua consulta? Certamente aquele que dá mais tempo ao paciente, que escuta com calma, valoriza a relação, esclarece dúvidas, examina devagar. Outra pergunta sobre o mesmo tema: você prefere o médico que consegue cura em dois dias oi o que precisa de duas semanas para atingir o desejado? Os dois dias, claro. Pois bem, esse poder ser justamente o mesmo que utilizou 45 minutos na consulta.  Viu como o tempo é relativo?

A versão europeia da revista americana de negócios Business week publicou recentemente uma pesquisa que mostra que os franceses trabalham menos horas, mas são mais produtivos que seus colegas americanos e ingleses. Essa atitude sem pressa não diminui a produtividade e ainda aumenta a qualidade. Evita o risco, a insatisfação e a necessidade de refazer o trabalho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *