As teorias do líder

Uma boa prática é ter sempre uma excelente teoria, um conhecimento estruturado
 
Peter Drucker esclareceu que todas as organizações têm objetivos a cumprir. Seja uma empresa, uma escola, um hospital, seja uma instituição de caridade.As empresas não existem,portanto, independentes das finalidades para as quais foram criadas e quanto mais claras forem para todo mundo, melhor. Ele também explicou que os líderes são os responsáveis pela criação e pela aplicação da estratégia para que esses objetivos sejam atingidos. E, claro, que tal estratégia tem de levar em consideração também os recursos disponíveis para alcançar essas metas.
 
A isso o mestre austro-americano chamava de “teoria da empresa”, ou seja, o encontro de três fatores: do objetivo, das condições externas e da estrutura da empresa. Desses, o mais fácil é o objetivo, pois ele pode ser dimensionado em função do histórico da empresa e do sonho de seus dirigentes. Feito isso, deve-se olhar com muito cuidado para fora e para dentro da organização.
 
Olhar para fora implica entender o mercado, identificar os clientes, conhecer os concorrentes, estabelecer parcerias. Já o olhar para dentro verifica as competências existentes para corrigir os possíveis gaps quando comparadas com as competências necessárias. E também para analisar se a cultura organizacional é capaz de dar suporte à estratégia que se pretende aplicar. Esses olhares que os líderes têm que ter constantemente às vezes enganam os menos experientes e os menos atentos. O problema são as mudanças constantes. O olhar para dentro tem ainda outro complicador: as agendas ocultas. Por isso, os líderes modernos precisam sempre entender, aceitar e promover mudanças. E nunca devem entrar em uma disputa sem conhecer o oponente.
 
É interessante observar que esse tripé — objetivos, meio ambiente e estrutura — sustenta o resultado com muita naturalidade se não for negligenciado em nenhuma de suas partes. Drucker insiste, dizendo que “é extraordinário o poder de uma teoria clara, consistente e focada”. Infelizmente, os gestores andam pobres de teorias, imaginando que a prática é suficiente, e vão vivendo cada dia como ele se apresenta. É claro que a habilidade vem da prática, do tempo, mas a análise consistente, o conhecimento estruturado são os melhores pavimentadores da estrada onde vamos trafegar com nossa prática cotidiana.
 
Todos temos de responder por nossos atos — a isso chamamos responsabilidade. Mas os líderes têm de responder pelos atos de seus liderados e pelos resultados alcançados pelo grupo. E as respostas serão fornecidas com segurança por quem construiu suas teorias com mais consistência.Termino com mais uma de Drucker: “Pelo que você quer ser lembrado? Faça-se sempre essa pergunta, pois ela induz você a se renovar e a ser a pessoa que gostaria de ser”.
 
Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.
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