Consciência e estratégica

O que Sigmund Freud tem em comum com a ferramenta de gestão SWOT
 
Há quase um século, o médico austríaco Sigmund Freud explicou que o pensamento divide-se em dois: o consciente (temos e sabemos que temos); e o inconsciente (nada sabemos). Descobrimos assim que nossas ações são influenciadas pelo que desconhecemos. É o caos?! Calma, o velho mestre acendeu uma luz ao dizer que podemos recuperar o controle, aumentando a consciência, que é a janela entre os dois tipos de pensamento. Há cerca de meio século, os professores Smith, Christensen e Andrews, de Harvard, desenvolveram o SWOT, uma das ferramentas de gestão estratégica mais utilizadas por empresas em todo o mundo, em função de uma ótima combinação — a facilidade de aplicação e a utilidade prática. Trata-se da análise de quatro fatores: as forças (Strenghts) e as fraquezas (Weaknesses), que constituem os fatores internos; e as oportunidades (Opportunities) e as ameaças (Threats), que são externos à empresa.
 
O que Freud tem a ver com isso? Tudo, caro leitor. Perceba: quando aumentamos a consciência estamos, na prática, melhorando nossa visibilidade para dentro e para fora. Quando usamos a janela para olhar para dentro de nós mesmos, conhecemos nossos sonhos e medos. E também percebemos quais são nossos pontos fracos e fortes. E, quando olhamos através da mesma janela para fora, vemos o mundo ao nosso redor, a expectativa que os outros têm de nós, os perigos que nos rodeiam e as chances que estão ao nosso alcance. Ora, não é exatamente isso que o SWOT propõe? Se você está diante de uma oportunidade, e é forte no assunto, não se intimide e vá em frente. Se a oportunidade existe, mas você não se sente preparado, aprimore-se antes de se aventurar. Por outro lado, se você é forte em um assunto, mas o mercado está ameaçador, prossiga com cautela redobrada. Por último, se além da ameaça você perceber que não está preparado, fuja, meu caro, pois você vai fracassar com certeza.
 
A estratégia diz que o momento certo para investir num novo negócio ou carreira é aquele em que a oportunidade e a força estão alinhadas. A psicologia esclarece que pessoas lúcidas são as que têm consciência de suas características próprias e que vivem em harmonia com o mundo porque o entendem. A estratégia é uma forma de lucidez. Agir sem estratégia é caminhar no escuro. Os líderes são os donos da estratégia, sim, mas precisam ter consciência de si mesmos, de sua equipe, da empresa e do mercado. Caso contrário, caminharão no escuro. E, lembrando o velho Sigmund, mais uma vez: “A felicidade está relacionada como a adoção de padrões de avaliação que sejam claros e verdadeiros”. Cuidado, portanto, com os falsos padrões de avaliação. Faça seu SWOT pessoal — e viva a consciência!
 
Texto publicado sob licença da revista Você SA, Editora Abril.
Todos os direitos reservados.


Visite o site da revista: www.vocesa.com.br