É melhor ser alegre

OK, você gostou do título e já começou a ler este artigo. Agora abra seu coração e permita-se olhar para dentro dele. Não analise este texto só com a lógica, sinta-o, pois ele fala sobre um sentimento, um estado de espírito – a alegria. Sobre este tema, Vinícius de Moraes, que entendia da alma, disse que é melhor ser alegre que ser triste (porque) alegria é a melhor coisa que existe.
 
Sabemos que há locais em que nos sentimos mais alegres, e outros que tendem a nos entristecer. O que esquecemos é que esses ambientes são criados pelas pessoas, e estas às vezes não dão valor à alegria, talvez porque achem que há coisas mais importantes. Tem gente que diz que não é alegre porque é sério, como se essas duas qualidades fossem opostas e não pudessem conviver.
 
Um dia destes tive que ir a um cartório fazer um reconhecimento de firma, esse costume burocrático que herdamos de Portugal e que só persiste por aqui. Entreguei os documentos à funcionária, recebi uma senha e procurei um lugar para sentar, preparado para o exercício de paciência. Enquanto aguardava, alguma coisa me incomodava. De repente percebi o que – aquele lugar era triste. Um local onde se presta um serviço importante tem que ser sério, sim. Sério no sentido de ser correto, responsável, eficiente; mas em nenhum código está escrito que esse lugar não possa ser alegre, um ambiente onde as pessoas se sentem bem.
 
Quando Vinícius escreveu o Samba da benção disse que para escrever um samba alegre é preciso ter conhecido a tristeza. Quero fazer um contraponto com nosso poetinha e lembrar que uma loja, por exemplo, de roupas, para oferecer uma experiência de alegria não precisa conhecer a tristeza, precisa conhecer a eficiência. E o exemplo vem de cima. Lembro-me que quando fui a um encontro no escritório da Bobstore eu estava um pouco perdido nas ruas do Itaim. Então liguei pedindo ajuda e, surpresa, a telefonista me orientou com eficiência e… alegria! Quando entreguei meu carro para o manobrista ele sorriu prestativo e simpático. A reunião foi séria, mas divertida. Logo senti. Aqui a alegria é parte da filosofia do negócio.
 
Há lojas alegres e lojas tristes, assim como acontece com os escritórios, as bibliotecas, as igrejas e, acredito, até com os cartórios. E mais: acontece com as famílias. Há famílias que cultivam a alegria, e há as tristes. Uma família alegre não está livre de um acontecimento triste, uma perda, uma grande dificuldade. A diferença é que ela enfrenta melhor as tristezas, e se recupera mais rápido. Todos temos dificuldades na vida, e é bom que seja assim, pois assim ficamos melhores (Nietzsche diria “O que não me mata me fortalece”), mas podemos fazê-lo com alegria ou não – é uma opção pessoal. Por falar nisso, como anda você no tema alegria de viver?
 
Quando Beethoven escreveu sua sinfonia mais empolgante (a nona), tratou de colocar um coral cantando uma ode de Schiller. Dedicada a quem? Ora, à alegria. Nela a alegria é tratada com se fosse uma divindade, um ente superior com quem se pode falar. Em uma das passagens mais belas, o compositor pede à alegria que ela “Aproxime aqueles que as leis dos homens separam”. Maravilhosa reflexão. Em um mundo onde há tantas coisas nos afastando, podemos nos unir através da alegria. Só depende de nós!
 
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