Falando em liderança…

Poucos temas têm ocupado tanto espaço nas discussões sobre as necessidades da vida moderna, especialmente nas organizações, como a tal da liderança.
 
Hoje sabemos alguma coisa sobre o assunto. Sabemos, por exemplo, que liderança é sim, um traço de personalidade e que personalidade tem um componente genético e um componente ambiental. Como tal pode ser modificada, ampliada, desenvolvida e até anulada, através de treinamento, apoio psicoterápico ou, o que é mais provável e freqüente, pela força da própria necessidade.
 
Portanto todos somos originalmente líderes, e temos a condição ou não, a necessidade ou não, de desenvolver essa faceta da personalidade ao longo de nossa vida. Entre os lobos, todos são líderes, mas assume a função da liderança aquele que se impõe pela força. Entre os homens é o mesmo, mas a assunção do papel de líder está ligada ao imperativo da inteligência.
 
Há, é claro, como em todas as características humanas, fortes líderes inatos. Gandhi é um exemplo. Mas também é uma confirmação da regra. Gandhi não seria Gandhi em outra circunstância histórica. Outra pessoa, na mesma circunstância histórica não seria Gandhi, pois não nasceu Gandhi. É o encontro da genética com o meio. Do genótipo com o meio criando o fenótipo. Do acaso com a necessidade (tudo o que existe no mundo deriva do encontro do acaso com a necessidade, disse Aristóteles, muito antes de Mendel).
 
O líder, além de conduzir ações, tem a capacidade de influenciar comportamentos, e é isso que o diferencia do chefe. O chefe manda, o líder influencia. A liderança é um tipo importante de poder, por isso é perigosa quando emana de uma pessoa com visão distorcida da verdade. A história da humanidade está cheia de líderes negativos.
 
Há três características sempre identificadas em um líder: visão, inspiração e legitimidade.Visão porque ele “vê” mais longe e antes do que o resto da turma, os fatos que podem exercer influência sobre si mesmo, sobre os liderados ou sobre meio em que habitam. Inspiração porque é capaz de mobilizar as pessoas em função de uma idéia, uma missão, um valor que, em geral deriva de sua “visão ampliada”. Legitimidade significa “coincidência entre o discurso e a prática”, pois sem isso o líder torna-se uma falácia.
 
Finalmente, duas características acessórias são próprias do verdadeiro líder: habilidade interpessoal e elã. O que significa isso? Ora, o líder sabe comunicar suas idéias e valores e, quando tudo parece perdido, líder é aquele que levanta e diz: “pessoal, vamos pegar junto que vai dar certo. Vamos trabalhar para virar esse jogo…”. Portanto, o líder é um manipulador de energias. E às vezes essa manifestação vem da pessoa que nós menos esperávamos.
 
O líder propõe aproveitar caos. Sabemos que a tendência natural dos sistemas é consumir energia e produzir desordem progressiva. A física chama isso de “entropia”. As organizações humanas, como as empresas e os estados têm uma tendência parecida. O líder é aquele que aproveita a energia entrópica para promover crescimento. Ele estabelece controle, o que é diferente da ordem. Às vezes organizar é desperdiçar energia. Controlar é mais importante, pois permite o aproveitamento energético para promover crescimento. Esse é o líder. O outro é o chefe.
 
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