Feche seus ciclos

O mundo não gosta de quem não termina o que começa
 
Um ciclo é um conjunto de fenômenos que se sucedem em uma ordem determinada. Quando um falha, altera a seqüência de tal modo que às vezes o ciclo não fecha. E um novo ciclo não pode ter início. Em nosso planeta há um imenso número de ciclos. Imagine que toda a água da chuva passa pela terra, evapora, forma nuvens e volta como chuva novamente. Os ciclos também aparecem em nossa vida prática.Nas empresas, eles se abrem com a definição de objetivos, são executados com a aplicação dos recursos e se fecham com a obtenção dos resultados esperados. Por isso, não entregar resultados equivale a deixar ciclos abertos, desperdiçando energia.As pessoas que fazem isso sempre serão questionadas pelas outras e apontadas como incompetentes e descartáveis. É bom lembrar que nas empresas os ciclos estão ficando cada vez mais curtos, pedindo mais atenção com a aplicação dos recursos, entre eles, a atitude humana.Mas o compromisso com o resultado não elimina outros, como o compromisso com a ética, a segurança, o meio ambiente, a qualidade.Então, é preciso não descuidar desses compromissos e ainda manter o resultado, pois sem ele não haverá um novo ciclo e o sistema travará.
 
Esse cenário parece cruel, mas não podemos esquecer que é disso que se trata a empresa: atingir resultados e fazer isso gerando valor para seus clientes. Na companhia, fechar um ciclo é transformar trabalho em felicidade. O acionista, o cliente e o colaborador ficam felizes quando o ciclo fecha corretamente, e a vida continua. Então, lembre-se que esforços são apreciados, mas resultados são valorizados, pois sinalizam que o ciclo fechou.
 
Em sua magistral obra, Machado de Assis inaugura o realismo na literatura brasileira e nos dá alguns exemplos da preocupação humana com os resultados. Brás Cubas fecha o ciclo da vida. Morre.Mas volta como um defunto escritor para revelar que sentia que, apesar de ter morrido, não havia concluído seus propósitos. Como epílogo de suas lembranças, o falecido escreve: “Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento”. No final, como que procurando alguma vantagem entre as coisas que ele não fez, diz: “Ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”.
 
Esse romance machadiano tem um forte caráter psicológico, faz várias críticas sociais e, no final, dá ao personagem apenas o mérito de não ter colaborado com a continuidade da angústia humana. Entre o cômico e o trágico repousa a história de uma vida sem atitude, sem compromisso, sem resultados. Um ciclo que se fechou sem ter se concluído. Não caia nessa!
 
Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.
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