Imagem é tudo

Atribui-se a Aristóteles uma frase com o seguinte sentido: “pensamento vira palavra, que vira ação, que vira hábito, que vira caráter, que vira destino”. Em outras palavras, a maneira como pensamos, através das ações transforma-se em nosso destino, pois o mundo passa a nos interpretar a partir de nossas ações repetitivas. A partir de então, nossa relação com o mundo passa a ser mediada por essa interpretação. Não adianta você ter a melhor das intenções, o que interessa é a imagem que a sociedade tem de você.
 
Dos gregos também recebemos a palavra “arquétipo”, que significa algo como “padrão original”, ou “modelo a partir do qual se podem fazer cópias”. Um arquétipo é, portanto, um modelo, um padrão, um protótipo. Jung se referiu ao arquétipo como uma imagem psíquica que está no “inconsciente coletivo”, e é patrimônio da humanidade. Há arquétipos que estão presentes em todas as sociedades, como a idéia do paraíso e do inferno. Os medos e os desejos do ser humano também são manifestações arquetípicas, e foram representados, pelos gregos antigos, a partir dos mitos. Os seres mitológicos nos permitem, em função disso, contemplar a própria história da humanidade.
 
Os mitos gregos são imagens de deuses ou semideuses, que carregam em suas figuras, ou em seus comportamentos, características da personalidade humana. Transformam-se, portanto, em arquétipos, com os quais podemos nos identificar. Não é a toa que a psicanálise utiliza-se da mitologia para interpretar os dramas humanos e, dessa forma ajudar o indivíduo a lidar com suas angústias, uma vez que elas são retiradas da pessoa e colocadas em um arquétipo; e nós conseguimos lidar melhor com algo que está fora de nós, como se fosse um objeto que podemos manipular e modificar.
 
Mas qual é, afinal, a relação entre os arquétipos e nossa imagem pessoal? Acontece que, da mesma forma como o inconsciente coletivo cria arquétipos relativos a fenômenos comuns a todas as pessoas, e que duram séculos ou milênios, a sociedade em que estamos inseridos, representada por nosso ambiente de trabalho, nossa escola, nossas relações pessoais, nossos clientes; cria a nosso respeito uma imagem que provavelmente irá nos acompanhar por muito tempo, senão por toda a vida.
 
Eis o motivo pelo qual cuidar da própria imagem é uma responsabilidade, e mais do que isso, um sinal de maturidade e de inteligência. Ás vezes somos identificados a partir de um traço de personalidade que há muitos anos deixamos de ter, mas que ficou no inconsciente coletivo. Virou um arquétipo pessoal. Se você era impontual na época da faculdade, e encontrar colegas dessa época muito tempo depois, no mundo profissional, terá que fazer um esforço para provar que agora é responsável com seus horários. Nossa imagem nos acompanha como nossa sombra.
 
Se existe ou não um “mundo real” é uma discussão acalorada dos filósofos, mas que existe um “mundo ideal”, aquele que está apenas no plano das idéias, das imagens, não resta dúvidas. Por esse motivo, é mais fácil verificarmos quem somos nós no mundo das idéias, nossas mesmas ou das outras pessoas, do que entendermos quem de fato somos.
 
O lado bom dessa história, é que esses mundos interagem. O que somos irá construir nossa imagem, mas ao investir na própria imagem podemos estar interferindo em nosso mundo interior. Pensamento vira destino, já nos disse o filósofo. Ao querer controlar seu destino, você aprende a organizar sua maneira de pensar. E entre esses dois extremos, o pensamento e o destino, está a imagem pessoal que você constrói todos os dias, e com a qual, o mundo verdadeiramente se relaciona.
 
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