O práxis na Educação Corporativa

Uma das características da Educação Corporativa é o fato de que o desenvolvimento do educando encontra aplicação na prática de sua lida diária. A percepção do significado do objeto do aprendizado surge de maneira mais evidente e mais rápida na educação dentro da empresa do que na educação tradicional, em que a cobrança do aprendido é feita pela prova e não pela aplicação prática.
 
A palavra práxis deriva do grego, quer dizer ação, e tem o significado de atividade prática, exercício de uma função, uso de atributos em algum trabalho. Quando se deseja personalizar o ser humano, diferenciando-o dos animais, pode-se utilizar a expressão práxis, como uma exclusividade humana, mas nesse sentido, a palavra afasta-se um pouco do sentido original, e aproxima-se de algo como “a união entre a teoria e a prática”, uma vez que só o homem consegue estabelecer essa relação.
 
Entre a teoria e a prática não é necessário, nem é desejável, que haja relação de superioridade, de mando, de anterioridade ou pressuposto. Ou seja, uma não pode existir sem a outra, e apresentam entre si uma relação de permanente troca e retroalimentação. A teoria alimenta a prática, mas é por ela nutrida. Eis educação corporativa começando a fazer sentido.
 
Através de uma análise apenas superficial costumamos dividir as tarefas e funções, ou seja, os trabalhos, entre os que têm uma conotação mais teórica e os que são predominantemente práticos. Temos, então, a ilusão de que essa classificação sempre se aplica, e que um gerente, por exemplo, tem mais responsabilidades teóricas, pois deve tomar decisões baseadas em dados, enquanto um operador de uma máquina é um trabalhador prático, pois ele faz coisas se mexerem, e depende de poucas influências intelectuais.
 
Essa é uma visão herdada da racionalização do trabalho, comumente chamada de taylorismo, em alusão ao precursor do método fabril, e da chamada administração científica, Frederick Taylor. Desde o início da administração científica até o século XXI muita coisa mudou na gestão das empresas, sendo uma das mudanças mais marcantes a redefinição do trabalhador, que passou da condição de executor mecânico, preferencialmente desprovido de opinião própria e de iniciativa, para uma posição de parceiro do sucesso da organização.
 
A dialética estabelecida entre a teoria e a prática, gerando o moderno e verdadeiro sentido da práxis, forma a base conceitual mais importante para a educação corporativa. A separação entre trabalhos mentais e trabalhos físicos ou braçais foram um paradigma do século que terminou, e que tem sido questionado, especialmente após a chegada da tecnologia em grande escala, atingindo absolutamente todas as atividades.
 
Na feira de agribusiness recentemente realizada foram expostos tratores e colheitadeiras dotados de tamanha informatização que chegam a lembrar aeronaves. Já os escritórios, anteriormente fechados, até herméticos, evoluíram para ambientes abertos, de colaboração e aprendizado permanente, onde as relações interpessoais e as trocas constantes criaram verdadeiras “comunidades na prática”. Teoria e prática cada vez mais próximas, parceiras na construção da competência e do desenvolvimento humano.
 
O trabalho material e o trabalho intelectual, assim definidos pela revolução industrial não apresentam mais a fronteira nítida que tinham. Ponto para a educação, que se torna imprescindível na proporção direta em que as pessoas não podem parar de aprender, e finalmente descobrem que o mais resolutivo meio de se construir conhecimento e competência é através da aproximação entre a teoria e a prática.
 
Educação corporativa só faz sentido se for rapidamente transformada em resultado. A práxis foi redefinida, e não por iniciativa da filologia, mas da necessidade organizacional, cada vez mais sistêmica e competitiva. Na sociedade do conhecimento, a competitividade depende da capacidade do homem, ou da organização, de construir conhecimento, mas também de conseguir aplicá-lo e de desenhar um sistema em que teoria e prática não parem de nutrir-se um do outro, na construção do mais moderno exemplo de simbiose que existe atualmente, pelo menos na vida corporativa.
 
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