O que é percepção?

Nos livros de psicologia encontramos, com algumas variações, que percepção é o “processo de selecionar, organizar e interpretar os estímulos oferecidos pelo meio ambiente”. Perfeito, pois a verdade é que estamos recebendo a todo instante informações que nos atingem através de nossos órgãos dos sentidos. E, com certeza, o volume de informações jamais foi tão grande como atualmente, oferecidas pelos chamados meios de comunicação, que não param de se multiplicar. E essas informações precisam ser selecionadas por grau de importância, organizadas por tipo e interpretadas com lógica, caso contrário corremos o risco da alienação ou da neurose.
 
Atualmente, percepção é a primeira exigência da competitividade, tanto que outra definição que encontramos é: “percepção é o pressuposto da adaptação e da inovação”. Em outras palavras, para que eu possa me adaptar às mudanças que acontecem o tempo todo em todas as áreas, preciso primeiro “percebê-las”. E para propor mudanças, ou inovar, preciso perceber a necessidade ou a oportunidade para tal proposição.
 
Tudo isso pode parecer simples demais, afinal faz todo o sentido, mas na prática não é bem o que acontece. Encontramos um grande número de pessoas ou mesmo de empresas com dificuldades de adaptação aos novos tempos e incapazes de inovar em suas atividades. Isso se dá, certamente, em função de deficiências de percepção, e o preço pode ser alto. No histórico de uma empresa que fecha sempre encontramos um defeito de adaptação. Processos administrativos e logísticos, uso intensivo da tecnologia, capacitação de colaboradores, métodos de venda e outros tantos detalhes, dão vida à organização, e precisam ser reciclados permanentemente. Exigem adaptações constantes. E para tanto, haja percepção.
 
Com os profissionais acontece o mesmo, há muitos que simplesmente “não percebem” quais as exigências atuais do mercado, e com isso não investem em sua empregabilidade. Não se dão conta, por exemplo, que as empresas estão mudando do foco “qualificação profissional” para “qualidades humanas”, e não fazem o devido investimento nessa área. O mundo moderno não perdoa as pessoas que não se adaptam à modernidade, que não lêem jornais, que não desenvolvem cultura geral, que não se comunicam, que não são curiosas.
 
Falemos sobre curiosidade, essa maravilhosa qualidade das crianças, que junto com o interesse é a responsável pela percepção. Perceptivas são as pessoas curiosas e interessadas. Por isso, sejamos curiosos. Querer saber mais, interessar-se por absolutamente tudo, inclusive, ou principalmente, por fatos que não têm uma ligação aparentemente direta com o que fazemos, aumenta nossa capacidade de perceber o mundo. O problema é que a curiosidade, que já foi apontada como uma “qualidade infantil” deveria ser mantida por toda a nossa vida, mas quando crescemos costumamos sepultá-la. Todos nós ouvimos, ainda crianças, algo como – “pare de ser curioso menino”, ou – “curiosidade mata, menina”. Nós não tínhamos consciência, mas nossa curiosidade estava sendo assassinada, e com ela nossa percepção do mundo.
 
Mas é claro que ainda é tempo, e por isso estamos abordando este tema agora, quando o mundo passa por grandes transformações. Não estamos vivendo apenas um tempo em que estão acontecendo muitas mudanças, e sim um tempo em que essas mudanças vão caracterizar uma nova era, como foram, em outras épocas, o surgimento da imprensa, o Renascimento, a Revolução Industrial. Neste novo tempo uma nova ordem mundial surge, em que os valores do humanismo dialogam pacificamente com os valores da tecnologia, mas ambos ficam temerosos quando assistem às discórdias entre os fundamentalismos e as potências bélicas.
 
Estejamos atentos. Para tanto, temos que perceber que a primeira preocupação deve ser um investimento na própria percepção. O mundo sorri para os “perceptivos” e ri dos “desligados”.
 
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