O senso do futuro

Cuidar do que é importante sustenta o presente, mas não garante o amanhã.
Uma das habilidades gerenciais mais valorizadas na década de 1980 era conhecida como senso de urgência. Significava que seu portador era capaz de tomar decisões sobre o que fazer primeiro, dando preferência à pendência que pudesse causar transtornos mais rapidamente. Na década seguinte essa habilidade começou a ser questionada, não por estar errada, mas por ser incompleta. Além de reconhecer o que é mais urgente, os bons gestores também deveriam avaliar as tarefas por sua importância. Daí surgiu o senso de prioridade, composto pela relação entre a urgência e a importância. Em outras palavras, diante de duas tarefas urgentes, deve-se atender primeiro à mais importante.
O aprofundamento desse conceito originou o senso de previsão, que orientava a pessoa a se dedicar às tarefas importantes, mas que não são urgentes. Valendo-se dessa estratégia, haveria grande diminuição das urgências, pois, quando as coisas importantes ficassem urgentes, já estariam prontas. Pois é, mas nos dias atuais, em que o papel do líder é mais relevante como nunca antes, surgiu o senso de valor. Novidade? Eu diria que, mais que uma novidade, é uma evolução em direção à essência do pensamento humano. Trata-se da relação entre o que é importante e o que é fundamental. Líderes usam o senso de prioridade e dessa forma mantêm a empresa funcionando; mas preocupam-se também com o que é fundamental, e assim garantem sua perenidade.
Importante é o planejamento estratégico. Importante é desenvolver produtos de qualidade, atrativos e acessíveis. Importante é ter um time bom, ambicioso e ativo; é ter uma boa campanha publicitária. Importante é ter dinheiro em caixa; manter as contas em dia; contar com bons fornecedores. É cada um cuidar de sua carreira; investir em suas competências; continuar estudando; construir uma boa rede de relações. Tudo muito importante, mas… Mas há coisas fundamentais, sem as quais as importantes deixarão de ser. Para a empresa, fundamental é o prestígio da marca e este estar alicerçado pela ética. Fundamental é o desenvolvimento das pessoas, é garantir que elas trabalhem por prazer, e não só pelo salário, pois este é apenas importante. Assim como, para cada um de nós, fundamental é cuidar da saúde, é ter amigos, é a família. É ter cultura geral, cultivar a sensibilidade para o belo, ter vida fora do trabalho e que não existe trabalho sem vida. Fundamental é o legado, é a paz, é o amor. O importante sustenta o presente, o fundamental garante o futuro. Fundamentais são os valores mais caros, ligados à essência humana, à busca da excelência e ao compromisso com a verdade. Entender o que é fundamental é… fundamental, nem que para isso seja necessária uma temida viagem ao nosso próprio interior.
 
Texto publicado sob licença da revista Você SA, Editora Abril.
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