Ou outros ensinamentos de Newton

Em uma passagem de seu livro de grande sucesso “Poder sem limites”, Anthony Robbins comenta que “na vida de cada homem e de cada mulher chega uma hora de supremo desafio. Uma hora quando cada reserva que temos é testada. Uma hora em que a vida parece injusta. Uma hora em que nossa fé, nossos valores, nossa paciência, nossa compaixão, nossa capacidade de resistir são todas empurradas para além de nossos limites”. Continua a reflexão comentando que “alguns usam tais testes como oportunidades para se tornarem pessoas melhores. Outros permitem que essas experiências da vida os destruam”. E termina indagando “você já pensou o que é que cria a diferença nas maneiras como os seres humanos reagem aos desafios da vida?”.
 
Se esta pergunta tiver uma resposta, ela será por demais complexa, mas tem o mérito de criar uma reflexão a respeito de nossa própria postura pessoal diante das dificuldades. Quando estudamos um pouco de história, encontramos alguns exemplos impressionantes sobre essa questão. Vamos tomar só um exemplo: a vida de Issac Newton. Sabemos que ele foi responsável por algumas das mais importantes contribuições científicas. Entre outras coisas, criou o teorema dos binômios, desenvolveu o cálculo diferencial, descobriu o espectro da luz, escreveu a teoria da gravitação e as leis do movimento, mais conhecidas como as Três Leis de Newton. Podemos dividir a ciência em antes e depois de Newton.
 
O que poucas pessoas sabem é o conjunto de desgraças com as quais Newton conviveu, ao longo de sua vida. Vejamos alguns fatos. Nasceu prematuro e tão pequeno que poucos apostavam que sobreviveria. Seu pai morreu dois meses antes de seu nascimento. Quando tinha três anos sua mãe casou-se se novo e mudou-se de cidade. O padrasto não o queria, por isso ele ficou com a avó, que o considerava um incapaz. Quando tinha treze anos sua mãe, viúva de novo, voltou e o mandou para uma escola em outra cidade. Passou a morar com estranhos e sofreu a tirania de garotos mais fortes que ele. Quando se acomodou e estava gostando da escola, sua mãe o chamou de volta para trabalhar no campo.
 
Não dá pra dizer que foi uma vida fácil, mas tem mais. Não acostumado com a vida na fazenda, deixou a criação passar para o vizinho, sendo multado e preso. Foi então mandado de volta à escola, desta vez ao Trinity College, em Cambridge, por influência de um tio, onde foi o calouro mais velho e mais pobre. Enfrentou a peste bubônica de 1664, e foi obrigado a voltar ao campo para fugir dela. Em 1666 Londres pegou fogo e queimou quase inteira. Uma desgraça atrás da outra.
 
Pois é, mas vejamos as conseqüências: se seu pai não tivesse morrido, provavelmente Newton teria sido um lavrador. Se não tivesse ficado sob a guarda da avó, não teria ido para a escola. Se não apanhasse dos meninos na escola não teria feito um esforço para se impor através do estudo. Se não tivesse se dado mal no trabalho da família não teria ido para Cambridge. Se não tivesse ocorrido a horrível peste bubônica na fétida Londres, Newton não teria voltado para o campo, onde fez observações planetárias e onde provavelmente viu cair a tal maçã. É claro que são conjecturas, mas nos fazem refletir.
 
Quanto ao imenso incêndio de Londres, que começou com o descuido de um padeiro, e que queimou mais de quinze mil casas e uma centena de igrejas, por um lado foi uma desgraça, mas por outro, foi o que acabou com a peste, pois matou os ratos, e quando o rei Carlos II resolver reconstruir a cidade, ela foi erguida em pedra, mais moderna e mais habitável como, aliás, é até hoje.
 
Não dá vontade de insistir na primeira premissa? A que diz que as dificuldades da vida podem ser aproveitadas para nos transformar em pessoas melhores e mais fortes? Afinal, é difícil crescer na zona de conforto. Neste ano que está começando, antes de sofrer e vitimar-se com as dificuldades, lembre-se da história de Newton, um homem que ajudou a mudar o mundo e que, com certeza, não teve uma vida fácil.
 
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