Planos ou planejamento

Começo de ano. Não há ninguém que não faça planos nesta época. Profissionais ou pessoais, às vezes são chamados de decisões, resoluções, objetivos, guinadas, mudanças, definições, rupturas ou outra dessas idéias criadas pelo encontro da vontade de ser melhor com a emoção das festas de que participamos ou a que assistimos. Os nomes são vários, mas são sempre planos.
 
Pode ser que sejam apenas figuras de retórica, mas a questão é que existe uma diferença entre “fazer planos” e “elaborar um planejamento”. Apesar de que nos livros de administração encontramos que o planejamento é composto por planos, parece que “fazer planos” é algo vago, que fica muitas vezes apenas no discurso.
 
O mundo competitivo em que vivemos atualmente não permite que fiquemos apenas na divagação poética de “fazer planos”, que na maioria das vezes não serão implementados. Em todas as áreas de nossa vida teremos mais chance de sucesso se elaborarmos um planejamento. Não pense que é exagero. Seja seu próprio VP de Planejamento e não tenha surpresas. Vamos, então, recordar alguns fundamentos: entre as várias definições disponíveis de planejamento, a mais clara é a que diz: “planejamento é o processo de estabelecer objetivos e de determinar o que deve ser feito para alcançá-los”.
 
Tudo começa, portanto, pela definição dos objetivos, mas não para por aí, e é por isso que muita gente não “realiza os planos” – porque fica apenas nos objetivos, que, quando não são acompanhados pelos outros passos, são apenas “sonhos”. Utilizando como fonte o livro “Administração nos Novos Tempos” do professor Idalberto Chiavenato (Editora Campos), há seis passos no processo de planejamento:
 
1. Definir os objetivos;
2. Verificar qual a situação atual em relação aos objetivos;
3. Desenvolver premissas quanto às condições futuras;
4. Analisar as alternativas de ação;
5. Escolher a melhor entre as várias alternativas;
6. Implementar o plano e avaliar os resultados.
 
Aplicável só à vida empresarial? Exagero para minha vida pessoal? Claro que não. Veja este exemplo:
 
1. Quero tirar férias em Londres;
2. Tenho pouco dinheiro para viajar;
3. Mas tenho potencial para economizar;
4. Posso ir agora e ficar em albergues da juventude ou agendar para o ano que vem e viajar mais confortável;
5. Prefiro aguardar e aproveitar melhor o passeio;
6. Vou comprar a passagem já e terminar de pagá-la antes de viajar, e vou abrir uma conta poupança específica para garantir o dinheiro das despesas.
 
Simples, não? E isso pode ser aplicado a absolutamente todas as áreas de nossa vida. Outra lição significativa do estudo do planejamento, é que há três tipos: Planejamento Estratégico, Planejamento Tático e Planejamento Operacional. A diferença principal que existe entre os três é o fator tempo. O Estratégico ocupa-se das grandes questões e requer visão de futuro, pois cuida do que se deseja que aconteça nos próximos anos. O Tático interpreta as decisões estratégicas e traça planos concretos a serem aplicados nos próximos meses, ou um ano, no máximo. O Operacional desdobra a tática em ações do cotidiano.
 
Na empresa, o Planejamento Estratégico envolve toda a organização, mas está sob responsabilidade da diretoria, o Tático é elaborado pelo nível intermediário, gerencial, e o Operacional, ligado a ações específicas, implementados a curto prazo, por indivíduos ou pequenos grupos funcionais.
 
Uma recente pesquisa, relativa à capacidade de planejamento das pessoas, mostrou que as mesmas variam muito em sua capacidade de organizar suas vidas em diferentes horizontes de tempo. Há muitas pessoas capazes de lidar com desenvoltura com fatos em uma amplitude de três meses. Um número consideravelmente menor sente-se confortável com períodos de até um ano. Poucos indivíduos conseguem trabalhar com facilidade em horizontes de vinte anos. Estes serão os responsáveis pelos Planejamentos Estratégicos. Serão os presidentes de empresas.
 
A pergunta que fica é: o presidente planeja em longo prazo porque é o presidente, ou ele é o presidente porque planeja em longo prazo?
 
Considerando que na vida tudo pode ser aprendido, podemos, é claro, aprender a planejar, em curto, médio e longo prazo. Faça isso e vire presidente. Se não da companhia, pelo menos de sua própria vida, o que é muito melhor!
 
Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.
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