“Ansiedade Corporativa” de Adriano Silva

O Executivo Sincero ataca mais uma vez. E desta vez nos pega desprevenidos e não temos como reagir à sua sinceridade desconcertante. Depois de ter escrutinado, no primeiro livro, os sentimentos, a situações, as escolhas e renúncias a que homens e mulheres estão sujeitos na vida corporativa, que é apresentada como uma metáfora da própria vida, neste, Adriano Silva dispensa intermediários. Não fala da empresa para explicar a vida. Fala da vida em si mesma.

Um dos temas aqui tratados afirma que quem não tem medo não precisa ter coragem, o que faz sentido, considerando que coragem não significa avançar por não ter medo, e sim avançar apesar do medo. Este é um ponto importante deste relato, pois é preciso muita coragem para falar de sentimentos com tanta abertura e profundidade. E a coragem do autor é demonstrada pelo relato de seus medos e de todos os sentimentos que o acompanham. Impossível não se identificar com as histórias de uma vida tão plena de experiências, que começa no Rio Grande da infância, passa pelo Japão do grande aprendizado, continua por São Paulo e Rio das grandes corporações e do espírito empreendedor.

A revelação é que uma carreira profissional é feita de competências técnicas capazes de encaminhar as equações da produtividade, e habilidades humanas indispensáveis para a construção de um ambiente estimulante e saudável. A imensa intelectualidade de Adriano se deu conta de que os sentimentos fazem parte fundamental dessa equação. Ao promover uma imersão em temas tão humanos como a ansiedade, o medo, a melancolia e até a depressão, ele joga tintas na tela de uma vida corajosa, a única que pode ser considerada inteira.

Em certa medida os relatos do Adriano me remeteram aos escritos de Machado de Assis, por sua capacidade de se referir ao humano com a suave intensidade que nos choca, diverte, alivia e faz pensar. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas há um diálogo delicioso entre dois personagens que, na verdade são partes de cada um de nós: a Razão, representante do pensamento lógico, e seu oposto, a Sandice. O que ele nos esclarece é que o oposto da razão seria a loucura, e não a emoção. Assim entendemos que o contrário da alegria é a tristeza, e não a seriedade. Machado acerta em cheio.

Todos deveríamos estranhar a ausência de um sorriso em nosso rosto. Aqueles que não se incomodam por não tê-lo não são, por isso, homens sérios. É possível que tenham se acomodado e se deixado vencer pela sandice. Pela falta de coragem de falar de seus próprios sentimentos ou de conversar com eles, como fez o Adriano. Sinceramente falando…

Eugenio Mussak

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