“Desculpability” por João Cordeiro

Apresentação
Eu não encontrei desculpas… Quando o João Cordeiro me convidou para escrever a apresentação de seu novo livro, não tive como negar. Aliás, aceitei com alegria, certo de que teria, em primeira mão, uma leitura agradável e útil. Seu livro anterior, Accountability, me autorizava a pensar assim.
O que eu não sabia é o quanto eu seria, mais uma vez, impactado pela apresentação clara, didática, simples e consistente deste pensador sobre temas de gestão e comportamento, que se transformou em um paladino da Responsabilidade em todos os ambientes – lares, escolas, empresas, política, sociedade.
Sua mensagem é direta: ou você possui Accountability Pessoal, a virtude moral que nos faz sentir, pensar e agir como verdadeiros protagonistas de nossa própria história e da história do mundo; ou você, em sua trajetória, lança mão de doses crescentes de Desculpability, a qualidade dos que jamais enxergam em si mesmos os motivos para seus fracassos – a culpa sempre é do mundo, das circunstâncias, do mercado, do patrão, dos outros, enfim.
É claro que o autor, responsável que é, não cede ao maniqueísmo fácil. Usa essas categorias para direcionar nosso pensamento, sem desconsiderar a gama de variações existentes entre esses dois extremos, identificadas, às vezes, na mesma pessoa, em circunstâncias ou tempos diferentes de sua vida.
Conhecedor profundo da psicologia humana, João nos alerta para o fato de que, por natureza, o homem tende a transferir responsabilidades com o intuito de se preservar, e que, portanto, a disposição para assumi-las, elevando assim, sua qualidade de pessoa, de profissional e de líder, é algo a ser aprendido e incorporado. Abusando da metáfora digital, diz que a Desculpability é um firmware, o programa que vem instalado de fábrica (nascemos com ele), enquanto a Accountability é um aplicativo que deve ser baixado e instalado (por nossa livre iniciativa).
Essa é a razão deste livro, bem como do Accountability, que o precedeu – a crença profunda do João Cordeiro na evolução ser humano. A capacidade de aprender, de se desenvolver, de buscar o aprimoramento são, sim inerentes ao humano, desde que tocado pelo dedo mágico da educação significativa. Ao estimular pessoas a assumirem responsabilidades deixando as desculpas de lado, ele está dando a maior contribuição que um educador pode dar a um discípulo – a autonomia.
As teorias aqui apresentadas são acompanhadas de histórias reais, casos fantásticos de pessoas que mudaram seus próprios destinos e os de muitas outras pessoas, através da atitude certa, do não conformismo, do sonho grande, da liderança autêntica. Além de inspirar, essas histórias mostram um caminho. O caminho da Accountability.
Examinando estas histórias e outras, retiradas de meu próprio acervo de vida, percebo um traço comum entre as pessoas dotadas de Accountability Pessoal. Todas têm apreço pela liberdade. Amam o ato de dirigir as próprias vidas de acordo com seus desejos e suas crenças. Talvez por isso haja aqueles que preferem não assumir responsabilidades, delegando-as aos demais. Eles têm medo da liberdade.
A liberdade pode ser, sim assustadora, quando não estamos preparados para exerce-la. Quando somos adolescentes já sequiosos da conquista, mas ainda receosos da responsabilidade. Esta é uma marca da imaturidade, a ser corrigida com a construção de uma personalidade estruturada. Entretanto, por obra da paternidade irresponsável, da docência despreparada, da liderança inconsistente, da política populista e do estado paternalista, este traço pode se perpetuar, e vemos, então, adultos infantilizados, dependentes, insuficientes.
Sorte a nossa de poder contar com educadores como o João Cordeiro, que nos fazem pensar através do uso das palavras certas, colocadas com precisão e coragem, embasadas em estudo e vivência, e que têm, portanto, o poder de comover nosso espírito a ponto de nos tornar mais responsáveis, portanto, melhores.

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