“No Caminho da Vitória” de Eduardo Almeida

No tatame
– Você precisa conhecer o Edu, é um dos caras mais fortes que eu já vi.
Foi assim que meu filho Rodrigo se referiu a um novo amigo, que ele havia conhecido em uma academia onde praticava Aikido, a modalidade de luta criada pelo mestre Morihei Ueshiba, e que, como outras artes marciais, mistura, e harmoniza, a luta com filosofia de vida e elevação espiritual.
– Ele é faixa preta em três modalidades de luta, mas também é publicitário e está começando a trabalhar com treinamentos corporativos. O cara é fera. E é muito forte. Você vai entender – concluiu, enigmático.
Como a Educação Corporativa é minha área de atuação, Rodrigo estava tentando aproximar-me de uma pessoa da mesma atividade, que ele, claramente, admirava. Porque era forte! Aproveitando uma estada minha em Curitiba, marcamos um almoço. Em um restaurante japonês, como convinha. E eu descobri que meu filho tinha razão, eu estava diante de um homem realmente muito forte.
Mas a principal força do Eduardo Almeida não vinha, pude perceber rapidamente, de sua musculatura privilegiada pela genética e tratada pela disciplina do exercício, e que ficou evidente no momento em que sua mão envolveu a minha e fez os ossos de meu pobre metacarpo entrarem em súbito desespero. Não. Sua verdadeira força tinha outra origem. Vinha de seu caráter. Eu tinha entendido.
Na vida
Já nos primeiros minutos ficou claro que eu estava conhecendo um novo grande amigo. Conversamos sobre nossas atividades, contamos um pouco de nossas histórias de vida (semelhantes em vários aspectos, principalmente aqueles que solicitam a presença da palavra superação) e aproveitamos para aprender um pouco um com o outro. Quando lhe disse que em minha missão de educador, eu procurava “ensinar meu aluno a pensar”, ele me disse: “Pois eu o ensino a lutar”.
Aquele foi apenas o primeiro encontro, pois outros se seguiram, em longas conversas e também em alguns eventos empresarias que acabamos realizando juntos, em perfeita sintonia de teoria e prática. Nossa convivência me ensinou porque “aprender a lutar” é tão importante. Com o Edu pude compreender que lutar não é apenas uma necessidade de sobrevivência – é um caminho para a elevação da alma.
Lutar não é brigar nem mesmo competir. Lutar é colocar-se ao lado da verdade. É por ela que lutamos. Só não luta quem não tem uma verdade a defender. Sei que a verdade pode ser relativa, transitória, incompleta, mas não estou falando aqui da verdade que é antônimo de falsidade e de dúvida, e sim da verdade que é sinônimo de grandeza e de honestidade de propósito.
A lição
– Algum dia você vai precisar colocar tudo isso em um livro – disse-lhe certa vez, referindo-me ao seu profundo domínio das artes marciais, seu grande conhecimento sobre o mundo corporativo (esse imenso tatame) e sua incrível história de vida, que inclui eventos de sobrevivência explícita.
Por isso minha imensa alegria ao receber o material de leitura que comporia este livro. Para minha surpresa, Edu confessa, logo na introdução, que, quando jovem, foi “um atleta fraquíssimo”. E inicia um relato fascinante da árdua construção do homem forte em que se transformou. Força, aliás, evidenciada também pela humildade dessa primeira confissão.
Agradou-me, de imediato, a pedagógica divisão do livro em apenas duas partes: Por que lutar? e Como lutar?. É preciso ter muita coragem para simplificar assim algo que tem a complexidade da vida. Mas, pensei, não seriam essas as duas grandes áreas da exploração filosófica? Com essa estratégia o autor vence a tendência de tentar ensinar técnicas sem dar-lhes significado, e assim deixa claro a que veio. Um verdadeiro Ippon de assertividade e clareza.
A reflexão
Preocupa-me quem não sabe lutar. Mas preocupa-me mais quem não tem motivos para lutar. Este livro do Eduardo Almeida me fez refletir sobre essas duas dimensões tão humanas que nos afetam a todos diariamente. Com frequência as pessoas apenas vão aos seus campos de batalha cotidianos sem o preparo suficiente e, pior, sem questionar a razão pela qual eles lá devem estar.
Ao aproximar o mundo fascinante do Bushido, o código moral e de conduta dos samurais (com imersões propícias nas escolas filosóficas do Zen, do Confucionismo e do Taoismo) das demandas crescentes da vida de executivos no mundo corporativo (com análises certeiras sobre estratégia, marketing, liderança e resultado), Eduardo nos dá um trilha (mas não um trilho) provável para a construção de carreiras mais sólidas e vidas mais dignas.
Definitivamente, a sociedade evolui, a tecnologia nos surpreende, o mercado muda, mas permanece a busca do homem por sua essência. Essa é nossa maior luta. A luta do verdadeiro guerreiro, aquele que encontra na superação cotidiana seu verdadeiro eu. Afinal, como nos disse Bruce Lee: “O guerreiro não se aperfeiçoa para lutar. Luta para se aperfeiçoar”.
*
Em tempo: a divisão deste prefácio em quatro dimensões segue o modelo dos 11 Princípios da Vitória. Mais uma inspiração do sensei Eduardo Almeida. Muito grato e honrado, amigo. E agora, hajime mashô*, homem forte!
*Em japonês, algo como agora vamos lutar!

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