Problemas e decisões

O cérebro humano é, sim, uma das grandes maravilhas da Natureza. Bilhões e bilhões de neurônios conectados que trabalham em rede para resolver os intrincados dilemas da sobrevivência. Sentidos, movimentos, sentimentos, criatividade, pensamento lógico e a incrível capacidade de sonhar, todos atributos do cérebro, sobre o qual repousa o poético conceito da mente, da qual emerge a essência da dignidade do ser. Mas esta maravilha não nasce pronta, depende do aprendizado para evoluir, precisa do estimulo para reagir e espera a idade para construir a sabedoria.
 
Essa é a tríade que nos transforma em seres capazes de encarar e resolver problemas cada vez mais complexos e tomar decisões cada vez mais acertadas. E é exatamente na proporção direta dessas duas qualidades é que passamos a ser reconhecidos como gente valiosa, especialmente no mundo do trabalho. Resolver problemas é um talento fundamental em uma sociedade cada vez mais complexa e sofisticada, mas nem de longe é uma qualidade inata, um dom divino; antes é uma competência que pode, e deve, ser desenvolvida. Tomar decisões também, pois é uma variante da solução de problemas. Quem decide talvez não acerte, mas quem não decide já errou, a não ser que se posicione como um seguidor.
 
Problemas são inerentes à vida, negá-los é negar-se a participar, esconder-se deles é covardia. Mas não é a bravata que os encara e resolve, e sim a inteligência, a competência mental que nos habilita a produzir apesar das dificuldades. “Um problema é a maneira que a matemática encontrou para fazer a inteligência sorrir”, disse-me uma professora que me ensinou matemática no colégio. Lembro que com esta frase ela fez sorrir a mim, e me motivou a resolver a equação. Hoje, homem feito, lembro-me de suas palavras sempre que estou diante de um problema de qualquer natureza. E volto a sorrir.
 
Na vida, sobram problemas para todos nós, homens e mulheres modernos. A não ser, é claro, para os que desejam levar uma vida com poucos desafios, livre de sobressaltos, sem perigos, mas sem conquistas. E olhe lá! Lembre-se que em uma existência plena e dinâmica, percalços são parte integrante. Tudo o que fazemos na vida tem um grau de dificuldade. Abrir uma empresa, conquistar um mercado, desenvolver uma tecnologia, andar de bicicleta, montar um guarda-sol na praia e até fritar um ovo. Tudo é difícil, até que aprendemos a fazer. Então fica fácil.
 
A dificuldade não está na dificuldade em si, e sim na desproporção entre tal dificuldade é a competência que você tem para resolvê-la. Então, escolha: para lidar melhor com os problemas você pode diminuir a dificuldade deles, fazendo coisas mais simples, menos complexas; ou você pode aumentar sua competência para resolver tais problemas, diminuindo, assim, sua dificuldade.
 
Se você se queixa dos problemas que tem que resolver, deveria estar questionando duas outras coisas: sua incompetência para evitar o aparecimento deles e sua fraqueza para enfrentá-los. No fundo, um problema representa uma questão existencial. E é exatamente nossa postura filosófica diante dos fatos da vida que ajuda os demais a construírem a visão que têm de nós, a credibilidade que nos dedicam e a confiança que inspiramos.