Qual será o proximo salto?

Vejo os acontecimentos dos últimos tempos como uma espécie de salto triplo da evolução humana. O primeiro salto foi dado pela liberalização dos costumes no período pós-guerra; o segundo pelos avanços da tecnologia; e o terceiro, que ainda precisa ser dado, terá de ser o da aprendizagem real, aquela que não se limita ao acúmulo do conhecimento, mas estimula o pensamento.
 
No início da sociedade ocidental, a educação dos jovens começava por um ciclo chamado trivium, palavra latina que signifi ca “três caminhos”. Nele, o estudante desenvolvia as bases do aprendizado e era introduzido ao mundo real. Para isso, os educadores da época selecionavam três disciplinas essenciais: a gramática, a lógica e a retórica.
 
A gramática permitia que o estudante compreendesse seu idioma e se inteirasse de sua cultura. A lógica dava- lhe condições de controlar seu pensamento. E a retórica o capacitava a comunicar-se. Hoje, não conseguimos mais imaginar o mundo sem o computador, a internet e o celular. Mas, pensando bem, para que servem mesmo essas modernidades? Elas servem para potencializar nosso acesso à informação e ao aprendizado, e para aumentar nossa capacidade de comunicação. Em outras palavras, a tecnologia está a serviço das potencialidades humanas.
 
Começou a surgir uma nova dimensão nas relações do ser humano, especialmente no trabalho, que está longe de acabar. Há poucos anos, os anúncios de emprego traziam “domínio de informática” como um diferencial. Até hoje, vejo currículos em que o candidato coloca sua profi – ciência nos aplicativos do Offi ce, como se ainda fosse uma vantagem competitiva. Não é mais. Falar inglês e ter um diploma Superior virou commodity profi ssional.
 
A vantagem real, especialmente para as carreiras corporativas, nas quais trabalhar em equipe e liderar pessoas são condições essenciais, está na relação com as pessoas, começando consigo mesmo. A leitura, a comunicação efi – caz e o pensamento lógico estão na ordem do dia. É incrível, mas o trivium é o terceiro salto.
 
Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.
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