A ideia não vale nada sem a ação

Se você observar com cuidado, em casa, no trabalho, nos bares, o mundo todo está cheio de gente com milhões de ideias que nunca realizam, pessoas que nem se empenham em executar seus planos como se fosse suficiente apenas pensar. Afinal, agir dá trabalho, não é mesmo? E depois vem o desconsolo da falta de reconhecimento. Pois é, o mundo é cruel; aprecia as boas ideias, mas valoriza os resultados. Não bastam boas intenções, é necessário mostrar serviço.

O mais provável é que a maioria das pessoas se cristalize na forma da intenção.

E intenção sem ação vira enrolação. O mundo está cheio de boas intenções, mas não tem mais paciência com os enroladores. Os filósofos – que são especialistas em ter ideias – também se preocuparam com a questão do agir. Aristóteles, por exemplo, considerado um grande pensador, em várias ocasiões insistiu que é preciso pensar para agir, mas é necessário agir depois de pensar. A ação sem o pensamento é perigosa; o pensamento sem a ação é inócuo. “É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer” – disse ele, e acrescentou: “Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito.
Essas observações, e tantas outras, constam no Ética a Nicômaco, o livro que o grego dedicou a seu filho e que escreveu depois de ter sido professor de Alexandre Magno, que, nessa época já estava em algum lugar entre os Balcãs e a índia, criando seu império. Esse foi um que não se contentou apenas com ter ideias. Partiu para a execução com a ferocidade de um felino faminto.
O elo perdido
Executar é o segredo. Levantar e partir para a ação, colocando em prática o plano que veio da ideia, mesmo que tal plano esteja repleto de imperfeições. É que o único jeito de corrigi-lo é implementar, para então ver o que funciona ou não.
Este assunto é antigo. Percebendo que as pessoas tendem a não ter iniciativa e a ficar esperando que as coisas aconteçam por conta própria, o estatístico americano Walter Shewhart criou, lá na década de 1930, um pequeno diagrama para estimular as pessoas a partir para a ação. Ele deu ao diagrama o nome de Método da Melhoria, mas depois ficou conhecido como Método PDCA, e que ainda é muito utilizado por ser uma ferramenta de fácil compreensão e aplicação.

Trata-se de um círculo cortado por duas linhas em quatro quadrantes de igual tamanho.

Em cada quadrante está uma das letras – P, D, C e A. O P está no quadrante superior direito, onde começa o processo – o círculo gira no sentido horário. A virtude deste método simples é que estimula você a agir de forma coordenada: ele recomenda que você planeje (Plan), implemente o plano (Do), verifique se o mesmo é bom (Check) e então aprimore (Act).
Nas empresas este método é muito conhecido e aplicado. Os gerentes experientes, depois de tentar vários processos mais sofisticados de gestão, reconhecem que a simplicidade do PCDA é a sua grande vantagem, pois é fácil de ser compreendido e bastante prático para ser executado. E não é só no mundo empresarial que ele pode ser aplicado, mas também em nossas vidas pessoais. Tudo o que fazemos tem os mesmos componentes: temos uma ideia, nos planejamos para executá-la e partimos para a ação. Se acertarmos, ótimo, se erramos, corrigimos o rumo. Pelo menos é assim que deveria ser.
Muito tempo depois, já em nossos dias, o consultor Ram Charan, que foi o primeiro indiano que virou professor em Harvard e, de quebra, guru dos principais executivos dos Estados Unidos, observou que o que falta no mundo não são ideias, e sim atitudes. Ele colocou suas observações em um livro seminal chamado Execução – a disciplina para atingir resultados, e todos concordam que ele acertou em cheio. Desde de que foi lançado, em 2004 (Editora Campus Elsevier), o Execução está entre os livros mais lidos, citados e adotados pelos líderes de equipes de trabalho no mundo corporativo. Com justa razão.
Neste livro há uma frase que é repetida quase como um mantra nas empresas:

“O elo perdido entre a ideia e o resultado é a atitude”.

No mundo corporativo a inovação é vantagem competitiva. Empresas que inovam em seus produtos, serviços e processos, se modernizam e crescem. E todos sabem que a inovação depende da criatividade, que começa com a ideia. Entretanto – alertam os mais lúcidos – cuidado com o elo perdido.
 
Revista Atitude Empreendedora