Seja Mulher!

O pensamento ocidental moderno começou a ser construído há 25 séculos, na antiga Grécia. De lá pra cá, passamos pelo império romano, pela idade média, pelo renascimento e pela revolução industrial. Chegamos ao século vinte, com suas fabulosas transformações proporcionadas pela ciência. Muito bem, durante toda essa história, e em todos os lugares do mundo, a mulher ocupou um lugar de inferioridade na sociedade. Mesmo Platão e Aristóteles, com toda sua sabedoria, consideravam a mulher um ser inacabado, portanto imperfeito (pode?).
 
Finalmente, na segunda metade do século que termina, alguma coisa começou a mudar, pelo menos na parte ocidental do mundo, onde vivemos. A mulher começa a ocupar um novo lugar na sociedade. E não é porque o homem deixou. E sim porque a mulher se impôs. E pela melhor das forças, a da competência.
 
E que competência. Simplesmente qualquer estatística examinada, mostra uma evolução feminina significativamente maior que a masculina. Especialmente nos últimos vinte anos, e notadamente durante a última década. Durante os anos 90, enquanto a renda média dos homens no Brasil aumentou 19%, a das mulheres aumentou 43%. Essa diferença deve-se ao fato de que as mulheres estão trabalhando mais e também porque estão ganhando mais. Desde o começo deste ano, a taxa de crescimento de emprego aumentou 0,6% para os homens e 1,5% para as mulheres.
 
Seis capitais passarão a ser governadas por mulheres a partir de janeiro, inclusive a maior cidade da América latina. E havia só sete candidatas. O número total de prefeitas no Brasil será de 317, contra apenas 171 em 1992. Um aumento de 85%. E há, atualmente mais eleitoras (55,4 milhões) que eleitores (54,1 milhões) na país.
 
54% dos médicos e 59% dos advogados são mulheres. 29% dos juizes também pertencem ao sexo feminino. E a indicação da juíza Ellen Gracie Northfleet para o Supremo Tribunal Federal, fez cair a cidadela do último reduto absolutamente masculino entre as instituições brasileiras. Assim como Nélida Piñon foi a primeira mulher a presidir outro clube masculino, a Academia Brasileira de Letras. E tantas outras graciosas “usurpadoras”.
 
E, como se não bastasse a ocupação dos espaços, elas o fazem com a maior competência. Qual a reflexão que podemos fazer disso tudo? No meu modesto ponto de vista, nada de especial. Apenas que, como no restante da Natureza, é esperado que se busque e se atinja o equilíbrio. É a lei da entropia, aplicada à sociologia.
 
Enquanto a mulher esteve atrelada apenas às lidas domésticas, o fazia não porque não quisesse ou não pudesse ir além. O homem não deixava. Portanto a suposta inferioridade feminina é uma invenção masculina, materializada apenas na força física, claro.
 
No mundo corporativo, a presença feminina tem trazido uma contribuição estupenda, que antes era desconhecida. É notória a maior capacidade das mulheres em trabalhar em equipe, por exemplo. Seu temperamento é mais flexível, têm mais capacidade de ouvir, são mais resistentes à adversidades, incorporam melhor as metas a longo prazo, afeiçoam-se mais ao trabalho.
 
Segundo uma especialista em RH de uma multinacional, as mulheres executivas também são “mais detalhistas, questionadoras, cobram resultados mais rápidos e pesquisam mais sobre os problemas. Além disso, tornam o ambiente mais dinâmico e instigativo”. Chega, ou quer mais?
 
O melhor verbete que me vem à cabeça para definir a nova parceira não imposta, mas conquistada é: dualismo! Por definição, a coexistência harmônica de dois princípios ou posições contrárias, opostas. Mas não antagônicas. Não inimigas. Como as estações do ano. O dia e a noite. O claro e o escuro. O homem e a mulher. O pensamento masculino e o pensamento feminino. Isto é o que faz a diferença saudável. O acréscimo do pensamento feminino, capaz de percepções e conclusões que são impossíveis ao homem, pois seu cérebro é diferente. E o desejado é exatamente isso. O pensamento feminino. A não masculinização. Competição não, dualismo sim!
 
Texto publicado sob licença da revista T&D.
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