Sem recurso fica difícil

O líder que não se preocupa com as finanças desperdiça o talento de ter idéias
 
O filme Coração Valente, com Mel Gibson, conta, de forma romanceada, a história real do líder escocês William Wallace.Um dos momentos marcantes é a batalha de Stirling, em que o pobre e mal armado exército escocês vence a autoproclamada invencível força inglesa. Fica evidente a liderança de Wallace porque oferece a seus homens três coisas: uma causa — a liberdade, o maior de todos os valores; um exemplo — ele luta à frente de seus homens; e os meios — uma estratégia inteligente e uma nova arma,capaz de anular a cavalaria dos bretões.
 
Trata-se de um excelente exemplo de liderança em que o líder atinge o resultado desejado por dizer a seus homens o que iriam fazer, por que e como. O encontro desses três componentes transforma cada membro da equipe em proprietário de seu futuro, criando um espírito comum de confiança na vitória.Criar causas (diferente de apenas delegar tarefas) e liderar pelo exemplo são duas posturas fundamentais e pertencem ao componente comportamental do exercício da liderança. Já o fornecimento da estratégia e dos recursos indispensáveis à realização das tarefas necessárias fazem parte da técnica de liderar.O líder que não se preocupa com os recursos corre o risco de desperdiçar o que tem sem alcançar o que deseja. Olha que isso é relativamente comum. Líderes competentes para mobilizar as pessoas, mas incapazes de obter e gerir os recursos necessários.
 
No mundo capitalista em que vivemos, as empresas expressam seus objetivos de várias maneiras — crescimento,market share, unidades produzidas, expansão, responsabilidade social etc.Porém, o que interessa mesmo é o resultado financeiro. Elas ganham dinheiro para satisfazer os chamados stakeholders — acionistas, funcionários, fornecedores, clientes e a sociedade.Mas é bom lembrar que a tranqüilidade econômica não deriva de outra coisa senão da administração das finanças. Saúde financeira não é resultado de dinheiro entrando, e sim de sua gestão. Se na época de Wallace era fundamental desenvolver uma arma para anular a cavalaria do inimigo, hoje é básico criar um mecanismo para garantir o fôlego financeiro. Por isso, os líderes modernos têm algo de estrategistas econômicos e devem se cercar de especialistas.
 
Este é o momento em que o idealismo se encontra com o pragmatismo; e um precisa do outro.O líder idealista tem visões do futuro.O pragmático cria as condições para tornar a visão realidade. O idealista olha para a outra margem do rio, enquanto o pragmático constrói a ponte. A boa notícia é que essas qualidades não são excludentes. Ou seja, você pode ter a visão e também pode providenciar os recursos para chegar lá.Lembre-se que quem não se preocupa com as finanças corre o risco de ver desperdiçado seu talento de ter idéias, por mais geniais que elas sejam. Experiência própria!
 
Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.
Todos os direitos reservados.

 
Visite o site da revista: www.vocesa.com.br