Seres Fecundos

Aprendemos no colégio que “fecundação” é o primeiro fenômeno que permite a ocorrência da reprodução sexuada. O espermatozóide fecunda o óvulo, ou, por uma visão mais ampla, as duas células se encontram e se fundem em uma terceira, esta, fecunda, ou seja, capaz de produzir vida, de transformar-se em um ser maior, híbrido dos dois anteriores, que lhe passaram o gérmen da vida.
 
Mais tarde passamos a ouvir esta palavra associada a outros fenômenos. Aprendemos que os campos estão fecundos, que boas reuniões são fecundas, que conversas ou foram fecundas ou foram estéreis, e então aprendemos seu antônimo. Ouvimos também que algumas pessoas têm “cabeças fecundas”, e alguns mais criativos imaginarão um espermatozóide entrando por um ouvido.
 
Em todos os sentidos, desde os mais biológicos, naturais até os mais figurativos, metafóricos, associamos à fecundação o surgimento da vida. E esta é a primeira qualidade de um ser vivo, a capacidade de gerar vida a partir de sua própria existência. A ciência justifica a vida pela capacidade de produzir mais vida.
 
O conceito de “espécie”, por exemplo, está associado a isso. Dois animais serão da mesma espécie se, em sendo de sexos diferentes, puderem gerar um descendente fértil. Em casos raros, animais de espécies diferentes podem cruzar e gerar um filhote, mas este será, obrigatoriamente, estéril, não fecundo. É o caso da mula, que é filha de um burro com uma égua, jamais filha de um casal de mulas, pois estas são sempre estéreis.
 
Fecundação, portanto, pressupõe semelhanças genéticas. É grande a sabedoria da Natureza, pois se indivíduos de espécies diferentes tivessem descendentes férteis estaríamos presenciando o nascimento de novas espécies todos os dias, o que, efetivamente, não acontece.
 
O mundo do trabalho na atualidade guarda alguma semelhança com toda essa trama biológica. As profissões e as empresas valorizam as pessoas criativas, inovadoras, empreendedoras, que ousam fazer coisas novas, que buscam soluções a partir de idéias originais, que antecipam as soluções aos problemas. Pessoas fecundas.
 
O que não se pode esquecer é que também nessa área, a fecundidade depende da similaridade genética, que neste caso significa valores, ideais, missões, razões, emoções. Humanos são fecundos por sua própria natureza, mas exercem a fecundidade, a capacidade de criar, quando encontram a fertilidade no ambiente em que vivem e nas parcerias que estabelecem.
 
Empresas fecundas são as que têm pessoas que são da mesma espécie, ou seja, que sonham um sonho comum, que compartilham objetivos, que repartem responsabilidades, vitórias e fracassos. Equipes são formadas por pessoas diferentes, mas que não devem ser desiguais. São diferentes nas formações e nas habilidades, mas são iguais na percepção das necessidades e desejos da empresa e da sociedade.
 
Vida só vem da própria vida. Seja na biologia, seja na empresa. Por mais que escape à percepção do senso comum, isso é lei, e lei é lei, e ponto final. E a propósito desse tema, diz o poeta:
 
Vida tenho
Porque vida tinha
Não minha
Mas que vinha de quem teve
 
Transcende
Transpassa
Refaz
Retoma
 
Sou imortal!
Sempre fui sem saber
Serei sempre
Sem que saibam
 
Célula única
Recriada
Célula única
Multiplicada
 
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