Uma vida de qualidade

Era uma segunda feira calorenta. Desembarquei no aeroporto de Fort Worth, em Dallas, a grande cidade do Texas, no sudoeste americano. Não, eu não estava interessado em conhecer poços de petróleo nem fazendas de gado. Minha viagem tinha outro propósito: visitar Centro Aeróbico de Dallas, uma instituição dedicada à saúde e à qualidade de vida, mais conhecida como Clínica Cooper, em alusão ao nome de seu fundador famoso.
 
Já no segundo dia, tive sorte, conheci pessoalmente o Dr. Kenneth Cooper que, por acaso, não estava em viagem pelo mundo. Quando entrei em sua sala, fiquei surpreso ao ver uma foto da seleção brasileira tri-campeã do mundo, com Pelé, Rivelino, Gerson, Tostão e todos aqueles jogadores que compunham o melhor exemplo de dream team do futebol.
 
A foto estava autografada pelo preparador físico daquela seleção, Claudio Coutinho. Quando vi a foto na parede, não pude não me emocionar. Comentei com o mestre, que me disse:
– Eu também me emociono, porque me lembro de meu amigo Claudio e porque essa seleção foi única. Acredito que nunca mais veremos um conjunto de gênios tão equilibrado.
 
Só quem viu a seleção de 70 em ação no México, como eu, é capaz de interpretar essas palavras adequadamente. Mas nossa conversa saudosista parou por aí. Em seguida começamos a falar sobre a medicina da qualidade de vida, e eu fiquei sabendo de uma pesquisa que estava sendo tabulada naqueles dias.
 
– Trata-se de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos inteiro, com a participação de Universidades e clínicas médicas. A finalidade é descobrir porque algumas pessoas têm saúde e outras não, analisando seus estilos de vida.
 
– Sem dúvida o estilo de vida é imperativo na saúde das pessoas, mas também há os aspectos genéticos. Isto está sendo considerado? – ponderei.
 
– Claro – disse ele – são duas variáveis nominais, a genética e o estilo de vida. Mas podemos praticamente eliminar a primeira se não considerarmos as doenças que são predominantemente hereditárias. Não é difícil identificar, por exemplo, se uma dislipidemia (colesterol alto) é devida à genética ou à alimentação equivocada.
 
– E quais os principais fatores de comportamento que estão sendo identificados na pesquisa? – Perguntei apressado.
 
– Os dados ainda estão sendo processados, só posso adiantar que alguns são bastante previsíveis, mas também que algumas surpresas irão aparecer.
 
– Surpresas? Como assim? Fatos novos ligados ao comportamento humano moderno?
 
– Sim, mas também alguns fatos não tão novos, como a maneira como as pessoas se relacionam com seu trabalho, como convivem com suas emoções, coisas assim. Mas não se preocupe, pois você terá acesso aos resultados nos próximos dias. Até lá, aproveite bem sua estada conosco e não deixe de “praticar Cooper”, como vocês dizem lá no Brasil.
 
O Dr. Kenneth Cooper encerrou, assim, nosso primeiro encontro. Estivemos juntos por alguns minutos, mas foi o tempo suficiente para estimular minha curiosidade e aumentar minha certeza de que podemos fazer algo por nós mesmos. A ciência está aí para nos ajudar. Mas não basta que ela exista, precisamos usá-la a nosso favor.
 
Nos dias que se seguiram eu fiz um check-up, freqüentei a academia e corri todos os dias bem cedo por uma pista emborrachada que corta um belo jardim e que tem pequenas pontes para vencer os inúmeros contornos de um lago repleto de patos.
 
Mas a maior parte do tempo eu dediquei a freqüentar o Research Center, a parte das pesquisas, e foi lá que consegui ler o relatório que trazia os resultados do estudo a que o Dr. Cooper havia se referido. Havia, como ele dissera, resultados esperados, mas as surpresas estavam lá, sim. O que faz, afinal, uma pessoa ter mais saúde que outra? Nós, pessoas comuns, podemos interferir em nosso bem estar a partir de cuidados cotidianos e simples? Como se fosse um número cabalístico, havia 7 hábitos que, quando praticados têm o poder de melhorar nossa vida. A pesquisa tinha gráficos, índices, médias, medianas, desvios-padrão – um conjunto de dados consistentes que davam ao estudo um caráter de extrema seriedade.
 
Mas tinha um resumo. E este dizia simplesmente que, se você deseja ter saúde e qualidade de vida, deve ter alguns cuidados, que eu dividi em três categorias: os previsíveis, os lógicos e as surpresas. Os previsíveis: manter atividade física regular e ter uma alimentação balanceada. Os lógicos: controlar o nível de stress, ter um sono reparador e investir em sua auto-estima. As surpresas: manter relações humanas construtivas e ter… veja só, projetos de vida, coisas a realizar, sonhos, enfim. Esse é o conjunto de hábitos que fazem com que uma pessoa tenha mais saúde, disposição, alegria de viver. Reflita sobre isso!
 
Saí da clínica do Dr. Cooper com uma nova visão da vida e de mim mesmo. Percebi, principalmente, que ter qualidade de vida e saúde depende, acima de tudo, da intenção. É verdade que atualmente temos que trabalhar muito, vivemos sob a pressão dos resultados, a agitação da vida moderna, a agressividade das grandes cidades. Mas também é verdade que podemos nos organizar e aproveitar bem as horas de nosso dia. Vivemos procurando desculpas para a negligência com que tratamos nosso bem mais precioso, que é nossa saúde; e estou falando da saúde física, mas também da saúde emocional e da saúde social, a das relações humanas.
 
E, para terminar, uma lembrança importante: a empresa em que trabalhamos não tem a responsabilidade de cuidar da qualidade de vida de seus funcionários. Tem, isto sim, a responsabilidade de providenciar os meios – entre eles, o estímulo – para que as pessoas cuidem de si mesmas, afinal, estamos falando de adultos responsáveis.
 
Foi o que o Dr. Cooper me lembrou quando nos despedimos. “Teu corpo é um jardim”, disse ele, para depois completar: “Mas não se esqueça que a tua vontade é seu jardineiro!”.
 
Texto publicado sob licença da revista Conexão Direta com Você, da Nextel.
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