Você vale quanto pesa?

A comunidade cientifica mundial está excitada com a revelação feita pelo CERN, a Organização Européia de Pesquisa Nuclear com sede na Suíça, sobre o desenvolvimento de um equipamento capaz de verificar na prática a existência de uma partícula física até então conhecida apenas na teoria, chamada “bóson de Higgs”. Este assunto está relacionado com o estudo das massas dos corpos.
 
A massa de um corpo é a quantidade de matéria que ele possui. É a soma das massas de suas menores partículas, aquelas que compõem seus átomos. Muitas vezes massa é confundida com peso, mas na verdade são grandezas diferentes, pois o peso pode variar dependendo da localização do corpo, e a massa não. Um homem na Lua tem um peso seis vezes menor que na Terra, mas sua massa continua sendo a mesma.
 
Saindo um pouco da física, percebemos que as pessoas também são assim, têm um valor próprio, intrínseco, e outro que depende de onde a pessoa está e o que ela está fazendo. Comparando, é como a massa e o peso. A “massa” pode aumentar à medida que novas partículas de conhecimento são agregadas, já o “peso” vai depender da utilização desse conhecimento para produzir resultado. Em síntese, há um valor que a pessoa se atribui pelo que sabe, e outro que lhe é atribuído pelo que faz.
 
Vamos voltar à física. Este assunto teve início quando cientista escocês Peter Higgs da Universidade de Edimburgo fez uma revelação surpreendente: nenhuma partícula de matéria tem sua própria massa. A massa que ela apresenta, na verdade provém da interação com outra partícula, que passou então a ser chamada de bóson de Higgs. Portanto, até na massa, valor intrínseco, uma partícula depende de outra. Quer mais? O bóson de Higgs também é chamado de “a partícula de Deus”, por ter, supostamente, massa infinita, o que pode explicar toda a origem do Universo.
 
Continuando em nossa metáfora científica, parece que até o valor que a pessoa atribui a si mesma, depende da interação com o mundo em que ela está inserida. É verdade, pois sempre precisamos de fontes de informação, de trocas de experiências e também de referenciais, de balizamentos, de objetos de comparação, para aumentarmos nosso valor pessoal.
 
As relações humanas posicionam o individuo na sociedade, colaboram para aumentar sua competência, sua empregabilidade e status social. Mas também contribuem para a autoapreciação, que é o desenvolvimento de uma relação intima da pessoa com ela mesma. Conversar, trocar idéias, obriga a pensar, o que eleva o pensamento e o autoconhecimento, com reflexos lógicos na autoestima e na autoconfiança.
 
As relações humanas contribuem com o aprender e com o fazer. Aprender gera prazer e reforça a autoestima intelectual. Aumenta a “massa”. Fazer proporciona outro prazer, o de manifestar um poder pessoal, com reflexos na autoconfiança. Aumenta o “peso”. Somos seres sociais e dependemos de nossa capacidade sócio-relacional não apenas para melhorarmos nossa relação com os outros, mas também para aprimorarmos a relação conosco mesmos.
 
O “peso” que me atribuem depende da “massa” que me ajudam a construir, mas, na prática, sou eu o responsável para que isso ocorra. Daí a importância da melhoria das relações e a criação de um vasto império de relações.
 
A “partícula de Deus”, neste caso, é a própria humanidade, que tem massa infinita, uma sabedoria plena capaz de suprir as necessidades do crescimento individual, do conhecimento, do trabalho e do sentimento. Cada um de nós é uma partícula que, se isolada, tende a perder sua massa própria. Depende do todo…
 
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